SHEILA VIEIRA
Da Agência Anhanguera
sheila@rac.com.br
As redes e mídias sociais como Orkut, MySpace, YouTube, Badoo, Sonico e Twitter são fontes de informação para análise de candidatos a uma vaga no mercado de trabalho. Segundo empresas de recursos humanos, empresário e estudiosos do assunto, os conteúdos veiculados nas páginas sociais também são analisados durante a fase de ascensão da carreira do profissional.
Conforme a gerente regional do Grupo Foco, Fabíola Lencastre, embora as redes sociais facilitem a busca por um emprego, graças à exposição de informações, também podem prejudicar o profissional que não se preocupar com a falta de ética, desrespeito e preconceito no conteúdo veiculado nas páginas de redes e mídias sociais.
Por outro lado, observa a gerente de RH, são ferramentas eficientes e funcionam como porta de aproximação do candidato, que pode, por exemplo, ser um dos seguidores do diretor de uma empresa e assim iniciar um relacionamento virtual. Em alguns casos, após essa aproximação, o candidato é chamado para uma entrevista com a recrutadora ou o departamento de recursos humanos da empresa, por exemplo.
As redes sociais já adquiriram importância na vida profissional da pessoas. Prova disso, aponta Fabíola, é que mesmo não existindo um campo específico no currículo para informar a mídia ou rede social, é comum o item ser acrescentado aos dados pessoais do candidato. Ela também diz que a justificativa para incluir uma rede no currículo, da qual o candidato é membro, é saber que as páginas funcionam como uma espécie de vitrine do seu conteúdo pessoal e profissional.
“É comum divulgar nas redes os currículos, cursos técnicos e até cursos na área social”, conta. Segundo Fabíola, todas as redes sociais, independentemente do perfil e sistema de funcionamento, são fontes de informações que farão parte do conjunto de elementos da avaliação daquele profissional. Fabíola usa como exemplo a rede profissional Toptalent (www.toptalent.com.br), cujo objetivo é ampliar o relacionamento profissional, sendo muito visitada por empresários, estagiários e trainees. Ela acredita que o Toptalent é mais utilizado no momento que a similar Linkedln.
“O problema é que nem sempre o participante de uma rede social é verdadeiro naquilo que posta, e acaba omitindo ou manipulando informações importantes sobre sua carreira”, alerta. Mas, quando as ferramentas são utilizadas corretamente, auxiliam o profissional a se inserir na era do currículo eletrônico, postando informações que ajudam a traçar o perfil profissional on-line. “A tendência é o RH continuar a utilizar as mídias e redes sociais como a mão direita da contratação e recolocação”, diz.
SAIBA MAIS
A DIFERENÇA ENTRE MÍDIA E REDE SOCIAL
Parecem a mesma coisa, mas existe diferença entre mídia e rede social. A definição de mídias sociais, do especialista em marketing digital e internet e autor do livro Orkut.com, André Telles, publicada no Portal Publihelp, diz que as mídias sociais têm como foco principal compartilhar imagens, slides, fotos, vídeos. São elas Twitter (microblogging), YouTube (compartilhamento de vídeos), Slideshare (compartilhamento de apresentações), Digg (agregador) e Flickr (compartilhamento de fotos). As redes sociais são uma categoria de mídia social da qual fazem parte os sites de relacionamento (Facebook, blog, Orkut e MySpace), nos quais os ambientes são focados na reunião dos membros, trazendo perfil com dados e fotos pessoas, textos, mensagens e vídeos.
Erro é achar que opiniões não trazem consequências
Para o diretor da Pitanga Propaganda, Gustavo Camargo, formado em Ciências da Computação pela Unicamp, o principal erro cometido pelos participantes de redes sociais é achar que Orkut, Twitter ou Facebook são versões digitalizadas de seus quartos, agindo como se estivessem conversando com um amigo.
Conforme Camargo, nem sempre os usuários têm consciência das consequências das opiniões emitidas e, muito menos, da exposição que o conteúdo ganhará na rede mundial de computadores. “Quem defende opiniões muito contundentes ou desalinhadas vai pagar o preço de expor o que pensa sobre determinado assunto”, ressalta.
E o juízo de valor atribuído a cada pessoa, a partir do perfil montado em cima de comentários e referências postados nas redes sociais, traz impacto na vida pessoal e profissional. Outra razão para redobrar a atenção são os chamados rastros digitais: as opiniões postadas no passado, que já não refletem o pensamento da pessoa, continuarão a ser visitadas e consultadas daqui a 20 anos. (SV)